13 Abril 2018
Gigi Hadid é a protagonista da edição de maio da revista Harper’s Bazaar e a propósito da produção, para a publicação norte-americana, a modelo foi entrevistada por uma das suas grandes amigas, a atriz Blake Lively.
Blake Lively: Como é que te sentiste a primeira vez que colaboraste com o Tommy Hilfiger?
Gigi Hadid: Estava tão nervosa quase desmaiei, nem me lembro de desfilar ou o que fiz como designer.
BL: O que é tão inspirador é que quando tu disseste ‘a desfilar’ eu queria perguntar ‘como designer ou modelo?’. Tu podes fazer os dois, o que é incrível. Porque a maioria de nós, independentemente do que fazemos, somos sempre trabalhadores de alguém.
GH: Estou sempre à procura de novas oportunidades. O meu manager pergunta-me regularmente ‘Então, alguma ideia estranha para este mês?’ e eu começo a dizer-lhe como gostaria de ser designer de casamentos!
BL: Meu Deus, não comeces sem mim! Também quero fazer casamentos.
GH: Nenhuma de nós tem experiência - vamos a isso!
BL: A tua mãe deu-te alguma conselho quando começaste a tua carreira como modelo? Ela foi modelo também, certo?
GH: Sim! Ela sempre disse que com qualquer fotógrafo, não interessa quem, podes sempre falar e dizer quando não te sentes confortável, e eu já fiz isso. Obviamente, quando era mais nova, havia vezes em que acontecia tudo muito rápido durante a sessão fotográfica. Alguém acabava por dizer “Ah, tu não te importas….”. É preciso saber qual é o nosso poder e saber quando temos que nos proteger.
BL: Adoro o facto de tomares as rédeas da situação: desenhas para várias marcas, já fotografaste para diversas revistas e campanhas. A tua ‘marca’ e as tuas redes sociais são o sonho de qualquer agência de marketing.
GH: Tudo isso deu muito trabalho, a mim e a muita gente, mas foi um processo muito natural. Quando me mudei para Nova Iorque, as minhas redes sociais deram um pulo. Lembro-me que a minha agência me ligava e dizia ‘O que é que dizemos às raparigas para fazer com as suas redes sociais?’ mas nunca era metódico. Eu simplesmente o fiz. Com o tempo o Instagram começou a tornar-se ‘forçado’. As pessoas iam ao café para tirar uma fotografia e aí foi quando começou a tornar-se triste. Tirem fotografias às coisas porque as viveram. Não vivam as coisas para tirar fotografias.
BL: Amén. E depois há a parte chata das redes sociais com que toda a gente lida: os trolls da internet.
GH: Sim e a maior parte das criticas não fazem sentido. Mas magoam na mesma. Hoje em dia as pessoas são tão rápidas a criticar: “Antes adorava o corpo da Gigi, agora parece que ela desistiu”. Mas eu não sou magra porque cedi a esta indústria. Quando eu tinha uma silhueta mais atlética tinha orgulho no meu corpo, porque era uma ótima jogadora de volley e praticante de equitação. Depois de descobrir que tinha Tiroidite de Hashimoto (doença auto-imune), percebi que tinha que comer bem e fazer exercício. Foi estranho porque como adolescente via os meus amigos a comer McDonalds e eu não podia.
BL: Estiveste nos dois lados. Foste criticada por ser ‘demasiado grande’ quando começaste a tua carreira de modelo e agora és criticada por ser ‘demasiado magra’.
GH: Se pudesse escolher, preferia ter as maminhas e o rabo que tinha há uns anos. Mas, honestamente, não podemos olhar para trás com ressentimento. Amava o meu corpo antes e amo o meu corpo agora. Quem estiver a ler isto quero que perceba que daqui a três anos vai olhar para fotografias antigas e dizer: "Wow, era tão gira. Porque é que me sentia mal por alguma coisa estúpida que alguém me disse?".
BL: Ou porque te comparaste com alguém que viste na internet.
GH: Porque essas imagens não são reais!
BL: Exatamente. É tão importante que os jovens não se comparem com o que veem online. É o nosso trabalho como modelo/atriz estar em forma. Temos acesso a ginásios e treinadores e a comida saudável. E para além disso, 99,9% das vezes as imagens são alteradas a photoshop. Eu sinto-me culpada por dizer numa sessão fotográfica que não gosto de me ver de uma certa maneira e depois de ficar aliviada por saber que vão fazer retocar a imagem.
GH: O nosso corpo vai sempre crescer e mudar e há sempre beleza nisso.
BL: Isso é tão verdade. Gostava que todas as imagens tivessem um pequeno asterisco ao lado, onde se podia ler que a fotografia tinha sido alterada. Um pequeno lembrete de que aquilo não é a vida real. Aquilo não é de todo como acordamos de manhã todos os dias.
GH: Concordo.
BL: Já agora, és linda sem retoques.
GH: Tu também.